
Doodle em comemoração ao meu aniversário que apareceu na tela inicial do Google Chrome
Hoje é o meu aniversário, fico feliz em abrir meu perfil no Facebook e ver as postagens dos meus amigos e familiares me abençoando e desejando coisas boas. Agradeço a todos, feliz por saber que cada um é sincero. É bom que exista uma ferramenta como o Facebook, pois na vida corrida que eu levo entre trabalho, estudos, família e igreja, talvez não houvesse tempo para ver a todos. Felizmente o Facebook permite me comunicar instantaneamente com todos ao mesmo tempo, isso é muito bom.
Ao abrir uma nova guia no Google Chrome uma surpresa, um Doodle em forma de bolo de aniversário. Ao passar o mouse sobre ele aparece a mensagem: “Feliz aniversário, Eric”. Achei isso curioso e divertido, mas não me impressionei muito. É claro que o Google sabe que é meu aniversário, quando criei minha conta no Gmail, eu inseri minha data de nascimento, portanto o Google sabe até quantos anos eu estou fazendo.
O mais curioso é que este simples Doodle me fez ter um estalo:
Até que ponto posso confiar que as empresas e as pessoas respeitam minha privacidade na internet?
Imediatamente me lembrei de uma conversa que tive com meu chefe Diego Ivo, sobre o Google, mais especificamente sobre o slogan do Google. Diego é CEO da Conversion, a maior empresa especialista em SEO do Brasil, logo é um grande especialista sobre o Google.
Tivemos uma boa conversa sobre a marca da Conversion, o que ela representa, quais os valores que queremos passar para nosso público. Durante a conversa eu citei o Google e como ele representa o arquétipo do inocente.
– A comunicação do Google, deixa muito clara a imagem que ele quer passar de empresa dos sonhos, onde todo mundo gostaria de trabalhar. Eles nem precisam de um slogan pra isso.
Diego me interrompeu com um tom firme e olhar de apreensão:
– Mas o Google tem um slogan que ele usa informalmente, ou pelo menos costumava usar, que é: “Don’t be evil” (“Não seja mau” em português). Desde o início Larry Page e Sergey Brin sabiam o poder que tinham nas mãos e criaram este slogan para que ão se esquecessem.
Lembrando-me daquela e dos acontecimentos corriqueiros que acabei de descrever fiquei pensativo. Fato é que mau e bom são conceitos muito subjetivos e como diz meu amigo Nickolas Ramos:
É preciso estabelecer um modelo que seja bom para todos, para então, ao seu molde, determinar o que é bom e o que é ruim. Estou certo que esse modelo é Jesus Cristo
Qual será o modelo que o Google segue, ao determinar o que é bom e o que é ruim? Pesquisando na internet pelo termo “slogan do Google”, encontrei um artigo interessante sobre o meu xara Eric Schmidt, que foi CEO do Google por cerca de dez anos, onde continua hoje como chairman e presidente. O artigo cita uma entrevista de Schmidt para a rádio norte americana NPR, onde ele diz que considerava o slogan do Google “a frase mais estúpida de todos os tempos”.
Nas palavras de Schmidt:
O problema é que não há nenhum livro explicando o quê é ‘ser mal'; com exceção de, talvez, a Bíblia, ou algo parecido com isto
Mais adiante ao ser questionado sobre o quanto o Google sabe sobre seus usuários, ele responde “o quanto vocês nos deixam saber”.
Onde a privacidade termina
Recentemente Edward Snowden, um analista de segurança que prestava serviços ao governo norte americano, revelou a existencia do PRISM, um programa de espionagem internacional usado pelo FBI para encontrar suspeitos de terrorismo. O PRISM coleta informações da internet e grampeia telefonemas do mundo todo, atrás de informações que possam revelar pistas de criminosos e terroristas.
Porém, segundo Snowden, o programa não era usado da forma prevista. Na verdade o PRISM estava sendo usado para obter todo tipo de informação útil ao governo dos EUA, que entre muitos interesses tinha um foco especial no Brasil, mais especificamente os novos poços de petróleo do pré-sal.
Snowden revelou que as empresas de internet, como Google, Facebook e Twitter, eram obrigadas a conceder acesso a informações de qualquer pessoa que considerassem suspeitos. Porém como foi dito antes, qualquer um que pudesse fornecer informações úteis ao governo se enquadrava nos requisitos do programa. Apple, Facebook, Google e Twitter se manifestaram a respeito negando qualquer envolvimento, mas pouco tempo depois o Facebook e o Google criaram novas políticas de privacidade. Pensando nisso, me dei conta que eu confirmei estar de acordo com os novos termos de privacidade sem nunca ter lido de verdade.
O caso do Instagram
No final de 2012 o Facebook adquiriu o Instagram (uma rede social onde se compartilha fotos tiradas em smartphones e tablets). Uma das primeiras medidas, com certeza a mais polêmica, foi modificar a política de privacidade da rede social. Entre os termos, constava que as imagens compartilhadas na rede poderiam ser vendidas sem a necessidade de qualquer consentimento ou compensação financeira dos proprietários. Após perder 4 milões de usuários em apenas uma semana o Instagram mudou novamente os termos.
O caso da PSN (Rede do Play Station)
Em abril de 2011 um grupo de hackers invadiu a rede do Play Station, PSN, e liberaram informações pessoais dos usuários, como senhas de cartão de crédito e documentos de identificação. O ato foi uma retaliação a Sony, por processar o hacker que descobriu como desbloquear o PS3.
O caso do Orkut
Antes do Facebook chegar ao Brasil o Orkut reinava soberano como a maior rede social do Brasil. Um problema sério com o Orkut era que haviam poucos sistemas de proteção contra conteúdos impróprios, sendo que o principal era o sistema de denúncia, algo extremamente ineficiente. O governo brasileiro recebeu diversas denúncias de pedofilia e agressões ao pudor e obrigou o Orkut a criar uma senha mestra que concede acesso a qualquer conta da rede social. Isso não teria sido um problema desde que a senha mestra continuasse em segredo, o que não ocorreu. Quando a senha foi disponibilizada na internet diversas contas foram invadidas, fato que contribuiu para a queda do Orkut.
Conclusão
Quanto mais nos expomos na internet, mais banal isso se torna. Deixamos de nos questionar se toda essa exposição é saudável e quanto podemos confiar que nossas informações estão seguras na internet. Não é o caso para fazermos escândalo ou deixar de usar a internet, essa é apenas uma reflexão para sermos mais responsáveis com as informações que disponibilizamos na internet.